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Lagartas na agricultura: Saiba como identificar e controlar

Lagartas na agricultura: Saiba como identificar e controlar

A agricultura desempenha um papel importante  na sustentabilidade e na segurança alimentar global. No entanto, diversos desafios ameaçam o sucesso das colheitas, e um dos problemas mais persistentes são as [...]

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Última atualização: 7 fevereiro 2024

A agricultura desempenha um papel importante  na sustentabilidade e na segurança alimentar global. No entanto, diversos desafios ameaçam o sucesso das colheitas, e um dos problemas mais persistentes são as infestações de lagartas. As lagartas, na fase larval de diversos insetos, podem causar danos às plantações, resultando em perdas substanciais para os agricultores. 

Neste artigo, exploraremos o que são as lagartas, suas características, as espécies mais comuns e um passo a passo para controlar as pragas na agricultura.

O que são as lagartas e suas características

Lagartas são as formas larvais de insetos da ordem Lepidoptera, que inclui borboletas e mariposas. Estas criaturas possuem um corpo cilíndrico, segmentado e muitas vezes peludo, com uma cabeça bem definida. Suas características variam, mas em geral, as lagartas possuem mandíbulas mastigadoras que ajudam na alimentação das folhas das plantas.

A metamorfose é uma característica marcante desses insetos, passando por estágios distintos, como ovo, lagarta, pupa e adulto alado. Durante a fase larval, as lagartas são mais vorazes e causam mais danos às plantas, sendo esta a fase em que são mais notoriamente conhecidas na agricultura.

Tipos de lagartas de plantas

Existem inúmeras espécies de lagartas que atacam plantas, sendo algumas mais específicas em relação aos tipos de culturas que infestam. Cada uma dessas lagartas apresenta características únicas, desde os padrões de alimentação até o tipo de dano que causa às plantas. Entre as espécies comuns estão: 

Espécies de lagartas da soja

Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)

A lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis)

Fig 1: Lagarta-da-soja

A lagarta-da-soja, cientificamente denominada Anticarsia gemmatalis, destaca-se como uma das principais ameaças aos cultivos de soja no território brasileiro. As larvas mais jovens desse tipo realizam raspagens nas folhas das plantas, resultando em manchas claras e perfurações, embora preservem as nervuras centrais e laterais.

À medida que essas lagartas amadurecem, intensificam seu padrão alimentar, acarretando danos mais significativos aos campos agrícolas. Cada lagarta tem a capacidade de consumir uma área de aproximadamente 100 cm². Caso não seja efetivamente controlada, a Anticarsia gemmatalis pode provocar uma desfolha que ultrapassa os 30% da planta, comprometendo diretamente a produtividade da cultura.

A lagarta-da-soja apresenta uma coloração predominantemente verde, com três linhas longitudinais brancas ao longo do dorso, quatro pares de pernas abdominais e um par adicional de pernas na extremidade do corpo. Em situações de escassez de alimentos, a cor da lagarta pode tornar-se mais escura.

A anticarsia gemmatalis não se limita apenas à cultura da soja, sendo importante mencionar que em determinadas épocas do ano e sob condições específicas de cultivo, essas lagartas podem representar uma ameaça prejudicial aos cultivos de cebola. O manejo eficaz dessas estratégias é essencial para preservar a saúde das plantações e garantir a produtividade agrícola.

Lagarta-Falsa-Medideira (Crysodeixis includens)

Lagarta-Falsa-Medideira (Crysodeixis includens)

Fig 2: Lagarta-Falsa-Medideira

A Crysodeixis includens, conhecida como lagarta-falsa-medideira, é a espécie de lagarta da soja mais significativa no contexto das falsas-medideiras. 

A lagarta-falsa-medideira tende a atacar predominantemente as folhas inferiores das plantas de soja, que são menos visíveis. Isso cria uma complexidade adicional para os agricultores monitorarem a presença dessas leis, uma vez que o dano ocorre em áreas menos perceptíveis. Esse padrão de alimentação pode resultar em desafios para os agricultores que buscam controlar eficazmente essas pragas.

A identificação da lagarta-falsa-medideira baseia-se em características distintivas. Possui coloração verde-clara, acompanhada por linhas longitudinais brancas que percorrem todo o dorso, além de pequenos pontos pretos. As lagartas movem-se de maneira característica, avançando a “mede-palmo”, apresentando três pares de patas torácicas, dois pares de pseudopatas e um par abdominal.

Helicoverpa (Helicoverpa armigera)

Helicoverpa (Helicoverpa armigera)

Fig 3: Helicoverpa 

De acordo com informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a helicoverpa (Helicoverpa armigera) emergiu como uma das principais ameaças capazes de causar prejuízos significativos aos trabalhadores brasileiros. A detecção desta espécie no Brasil ocorreu em 2013, nos estados de Goiás, Mato Grosso, Bahia e Paraná. Desde então, sua presença tem despertado a atenção dos agricultores devido ao potencial específico de danos.

A helicoverpa (Helicoverpa armigera) concentra seus ataques principalmente na parte aérea das plantas, afetando flores, folhas e frutos/vagens. Na cultura da soja, as perdas estimadas variam entre 30% a 40%, dependendo do nível de infestação. No algodão, esse percentual oscila entre 25% e 30%, enquanto no milho, as perdas situam-se entre 3% e 5%.

A helicoverpa exibe uma gama de colorações ao longo de seu ciclo de vida, começando por um tom branco quando jovem e evoluindo para tons de verde, que variam de claro até escuro. Adicionalmente, a lagarta apresenta “pintas” escuras no seu corpo. Essas variações de coloração estão diretamente relacionadas à alimentação do inseto.

O constante monitoramento e adoção de práticas de manejo integradas são essenciais para mitigar os danos causados ​​por essa ameaça agrícola.

Espécies de lagartas do milho

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Fig 4: Lagarta-do-cartucho

A Spodoptera frugiperda, popularmente conhecida como lagarta-do-cartucho, tem a capacidade de danificar severamente as estruturas reprodutivas das plantas, apresentando um potencial de dano específico. 

Esta praga é extremamente reconhecida pelos agricultores brasileiros, sendo identificada em cultivos como algodão, arroz, soja e milho. O nome “lagarta-do-cartucho” deriva do seu hábito de se alojar no cartucho da planta, onde também deposita seus excrementos, resultando na manipulação dessa região.

O potencial de dano causado por essa espécie não se limita apenas à destruição do cartucho das plantas. As lagartas desse gênero também desempenham ações corporativas ao raspar e perfurar as folhas, afetando significativamente as espigas. 

Os ataques são mais proeminentes durante o período de florescimento e tendem a intensificar-se em épocas de condições secas. No caso da soja, a lagarta-do-cartucho ataca as estruturas reprodutivas, incluindo flores, vagens e grãos. Além disso, ela pode comprometer o início do ciclo de desenvolvimento da soja, causando falhas no estabelecimento da cultura.

Lagarta-da-Espiga-do-Milho (Helicoverpa zea)

Lagarta-da-Espiga-do-Milho (Helicoverpa zea)

Fig 4: Lagarta-da-Espiga-do-Milho

Como uma das pragas mais refletidas globalmente na cultura do milho, a lagarta-da-espiga-do-milho, cientificamente conhecida como Helicoverpa zea, causa danos substanciais, especialmente nos grãos da planta. O ciclo dessa praga tem início com a deposição de ovos pelos adultos nas estruturas florais das plantas, e uma vez eclodidos, as lagartas iniciam sua alimentação nesses locais.

Com um tamanho que pode atingir até 35mm, as lagartas da espiga-do-milho apresentam uma variedade de colorações, incluindo verde-claro, rosa, marrom e tons mais escuros, chegando ao preto. Além disso, exibem marcas longitudinais em dois tons, escuros e claros, com a cabeça em tonalidades de amarelo ou marrom, acompanhadas por pontos escuros.

A identificação precisa dessa praga é importante para implementar estratégias de manejo eficazes. A observação cuidadosa das características distintivas, como coloração, padrões no corpo da lagarta e outros marcadores visuais, possibilita a aplicação de medidas preventivas e corretivas, evitando minimizar os danos pela lagarta-da-espiga-do-milho nas plantações de milho.

Lagarta-Elamos (Elasmopalpus lignosellus)

Lagarta-Elamos (Elasmopalpus lignosellus)

Fig 5: Lagarta-Elamos

A lagarta-elamos, também conhecida como broca-do-colo, apresenta uma ocorrência cíclica, manifestando-se geralmente em épocas secas e impactando principalmente atividades em estágios iniciais de desenvolvimento.

Esta lagarta ataca a planta abaixo do solo, penetrando na mesma após raspar o tecido vegetal próximo ao colo. Esse processo compromete o sistema de condução de água dentro da planta, resultando no ressecamento das folhas e, eventualmente, na morte da planta.

No estágio inicial de seu ciclo, as lagartas apresentam uma coloração amarelada com listras vermelhas. Conforme se desenvolve, a cor se transforma em tons esverdeados, acompanhados por listras e anéis vermelhos. Na adulta, a larva atinge aproximadamente 16mm e tem uma fase de vida de até 42 dias.

Lagartas-roscas (Agrotis ipsilon)

Lagartas-roscas (Agrotis ipsilon)

Fig 6: Lagartas-roscas

 Agrotis ipsilon, conhecida como “lagarta-rosca”, é uma mariposa cujo adulto apresenta uma envergadura de 35 mm. Suas asas anteriores exibem uma coloração marrom com manchas triangulares negras, enquanto as asas posteriores são brancas. Os ovos, de cor branca, são depositados no solo, em restos de cultura e em plantas infestantes, especialmente gramíneas.

A lagarta desta espécie é robusta, com uma coloração marrom-acinzentada e uma cápsula cefálica lisa e escura, atingindo até 45 mm de comprimento. Essa lagarta é de hábito noturno, procurando abrigo no solo durante o dia e enrolando-se quando tocada. Seu ciclo biológico varia de 34 a 64 dias, com fase de ovo durante quatro dias, fase de lagarta entre 20 e 40 dias, e fase de pupa de 10 a 20 dias.

Os danos podem se manifestar não apenas nas folhas, mas também afetam raízes e outras partes das plantas hospedeiras, comprometendo o desenvolvimento saudável das culturas. 

Passo a passo: Como acabar com as lagartas na fazenda

Identificação

O primeiro passo é identificar a presença das lagartas na plantação. Isso pode ser feito através de inspeções regulares das folhas, procurando por danos, excrementos ou as próprias lagartas.

Monitoramento e controle biológico

O controle biológico é uma abordagem sustentável para lidar com lagartas. Incentivar a presença de inimigos naturais, como predadores e parasitas, pode ajudar a manter as populações de lagartas sob controle.

Uso de inseticidas seletivos

Se a infestação atingir níveis preocupantes, o uso de inseticidas seletivos é uma opção. Estes devem ser escolhidos com cuidado para minimizar os impactos ambientais e afetar o mínimo possível outros organismos benéficos.

 Práticas culturais

Adotar práticas culturais adequadas, como rotação de culturas e manejo adequado do solo, pode contribuir para a redução das populações de lagartas.

Controle químico responsável

Quando necessário, o uso de inseticidas químicos deve ser feito de maneira responsável, seguindo as recomendações dos fabricantes e respeitando os períodos de carência.

Uso de armadilhas e iscas

Armadilhas e iscas podem ser práticas para monitorar e reduzir as populações de lagartas. Atrair as lagartas para áreas específicas facilita seu controle.

Avaliação contínua

Monitorar regularmente a eficácia das medidas adotadas é crucial. Isso permite ajustes conforme necessário e evita a resistência das lagartas aos métodos de controle.

Aposte em tecnologia para controlar o controle e o manejo

O manejo de pragas é uma atividade que demanda tempo, pessoal capacitado e bastante atenção para fugir dos desperdícios, tanto de insumos quanto de recursos humanos.

Para evitar isso, é preciso ter em mãos uma ferramenta capaz de registrar todos os setores e insumos necessários para controlar o surgimento desse problema em sua produção de forma automática e segura.

É por isso que realizamos a integração do +Gestão com o Software de MIP (Manejo Integrado de Pragas) da FarmBox.

Por meio do MIP, os pragueiros da sua produção podem analisar o surgimento de pragas ainda nos estágios iniciais, mapear quais áreas foram afetadas e enviar um relatório para o profissional agrônomo responsável pela fazenda.

Quando o produtor for cliente da Farmbox, terá acesso a integração onde todas as operações de manejo do software MIP da Farmbox, que são integradas ao Software +Gestão.

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Isabelle Duarte

Assistente de Marketing na Connectere Agrogestão. Atuo com Marketing Digital desde 2020 e atualmente sou responsável pela redação de artigos na Connectere.

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